Sempre ouço essas perguntas, e confesso que adoro essa discussão 🙂 

Vamos lá:

Não existem vinhos ruins!

Existem vinhos que agradam ao seu paladar, e existem vinhos que não agradam.

Se você prefere os vinhos mais leves e suaves, um vinho intenso e encorpado não o agradará, mas muito provavelmente será a escolha perfeita para aquele que prefere esse estilo de vinho.

Se você gosta de um vinho mais doce, um italiano Moscato D’Asti será perfeito para você. Mas esse vinho poderá não agradar àquele que prefere os vinhos secos, com quase nenhum açúcar residual.

Ok, Ok, confesso que há alguns meses experimentei um “Lambrusco Rosso” terribile… não consegui terminar a taça, na verdade torci o nariz e não consegui nem arriscar um segundo gole, e joguei tudo fora… Mas tem gente que adora aquilo vinho… 

Então, tem gente que gosta daquele vinho que o desagrada, e tem gente que não gosta do seu vinho preferido.

Existem vinhos que valem o que você pagou, e existem vinhos que não valem.

Se você for ao supermercado e comprar uma garrafa de vinho “Chalise Tinto Seco” a R$ 8,39 a garrafa, bem, esse vinho será bom, sim, considerando o quanto você pagou.

E se você comprar um super “Barolo Riserva Speciale DOCG”, conhecido como “o Rei dos Vinhos e o Vinho dos Reis”, ao custo de R$ 2.000,00 a garrafa, e abri-lo ainda jovem, antes que ele esteja no auge e pronto para ser consumido, bem, este vinho poderá desapontá-lo e você vai achar que ele não vale o quanto custa.

Então, definitivamente, não existem vinhos ruins.

Contudo, existem vinhos com imperfeições técnicas, em razão de ter havido algum tipo de comprometimento do produto em uma das fases da produção, engarrafamento e arrolhamento.

Mas encontrar vinhos nessas condições é raro, pois atualmente os produtores tomam todos os cuidados para não lançarem vinhos tecnicamente comprometidos no mercado.

E existem vinhos com defeito, tais como:

  •  vinho bouchonéebouchon em francês significa rolha, e bouchonée ou doença da rolha ocorre quando o vinho é infectado por uma substância química que surge a presença de fungos na rolha de cortiça (exclusivamente), e confere ao vinho um odor indesejável e desagradável de mofo;
  • vinho oxidado: contato do vinho com o oxigênio em demasia, seja durante a produção ou já na garrafa em razão do ressacamento da rolha, por exemplo, conferindo ao vinho um odor indesejável de vinagre, de Vermute. Mas nem toda oxidação do vinho é ruim. Alguns vinhos altamente conceituados da Espanha sofrem uma micro-oxidação que garante tipicidade ao vinho. E os vinhos do Porto ou Jerez são vinho tradicionalmente oxidados durante a fase de produção, o que garante não só o dor e paladar característicos desses vinhos, como grande longevidade; e
  • vinho “brett”: diminutivo de Brettanomyces, família de leveduras que pode atacar o vinho ou o mosto do vinho, na fase final da fermentação, conferindo-lhe aromas intensos de couro, suor e bacon, que em demasia encobrem o aroma frutado característico do vinho.

Encontrar uma garrafa de vinho com esses tipos de defeitos é bastante incomum

Por fim, o vinho também pode apresentar defeitos em razão do armazenamento inadequado da garrafa, quando exposta a luz forte e altas temperaturas que alteram as características da bebida, e em locais com fortes odores que passam pelos poros da rolha de cortiça e contagiam o vinho. E os vinhos vedados com rolhas de cortiça devem ser armazenados na horizontal, sim, e em locais não muito secos, para que a rolha não resseque, encolha e permita a passagem de muito ar para a garrafa.

Então, já sabe:

Não existem vinhos ruins. Mas existem escolhas ruins que podem desagradar ao seu paladar e principalmente ao seu bolso. E existem vinhos imperfeitos tecnicamente ou com defeitos. 

Abraços e até o próximo post.

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