Na disputa entre vinhos do Velho e do Novo Mundo, não há vinho melhor nem pior.

Como já defendido no post Esse Vinho é bom? Ou Esse Vinho é ruim?, há vinhos que agradam ao seu paladar e vinhos que desagradam, e há vinhos que você pode pagar e podem valer a pena, e vinhos que você não pode pagar e podem não valer a pena.

O seu estilo preferido de vinho é só seu, e não precisa ser igual nem parecido com o estilo de ninguém.No entanto, é bem verdade que há os tipos de vinhos mais adequados para cada ocasião. Festas, jantares, churrascos, happy hours, reuniões de negócios etc, cada um desses eventos pede o tipo certo de vinho.

E há também os tipos de vinhos que podem (e devem) ser servidos sozinhos, os chamados “vinhos para degustação”, que ficam muito melhores se bebidos sozinhos, pois perdem parte de suas características se acompanhados de refeiçoes ou petiscos.

Mas o assunto sobre os tipos de vinhos mais adequados para cada ocasião é bastante complexo, e abordaremos isso mais detidamente em um outro momento.Sem prejuízo disso, o conhecido “abismo” entre a considerada sofisticação e complexidade dos vinhos do Velho Mundo em relação à considerada simplicidade dos vinhos do Novo Mundo vem sendo minimizado gradativamente.

Exemplo disso é que ocorre hoje na região da Toscana, onde vários produtores abandonaram o engessamento e rigidez para a produção de vinhos DOC e DOCG, e estão a produzir os SUPER TOSCANOS (ou os “vinhos fora da lei” da Toscana), e que estão sendo produzidos com uvas internacionais como a Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, em vez de serem produzidos apenas com as uvas regionais típicas.São vinhos de caráter mais jovem e que apresentam características bem diferentes em relação aos vinhos tradicionais ali produzidos, e, tal como os do Novo Mundo, são mais frutados, mais alcoólicos, mais “amadeirados” e menos complexos. Os produtores dos SUPER TOSCANOS estão a utilizar de métodos mais modernos e tecnológicos de produção, com o emprego de colheita mecânica, irrigação industrial, vinhas projetadas, e tudo o mais que não seria permitido na produção de um vinho italiano DOC ou DOCG.

Portugal vem em seguida, produzindo excelentes vinhos também com diferentes características.Semana passada degustei às cegas um excelente vinho português (vejo o nome e incluo aqui depois) que tinha todas as característica de um vinho do Novo Mundo, mais precisamente de um vinho chileno, no dizer da maioria que ali estava. E aquele vinho português surpreendeu a todos.

E o contrário também é absolutamente verdadeiro: o Novo Mundo, tendo a tecnologia como sua aliada, está a produzir excelentes vinhos de grande complexidade e enorme potencial de guarda, dignos de rivalizar e até vencer qualquer competição com os vinhos mais tradicionais do Velho Mundo.Isso inclusive já aconteceu no episódio que ficou conhecido como “O Julgamento de Paris”, ocorrido em 1976, no qual um vinho branco e um vinho tinto produzidos na região de Nappa Valley, na Califórnia, venceram em uma degustação às cegas os vinhos franceses mais famosos e bem conceituados do mundo.

Esse evento foi um marco no mundo do vinho, e colocou os vinhos do Novo Mundo definitivamente no Mapa! Para saber mais leia o post O Julgamento de Paris.

E aí, qual o seu estilo de vinho? Velho Mundo? Ou Novo Mundo?

Eu prefiro os dois 🙂

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