Nos países do Velho Mundo as técnicas rústicas de cultivo de uvas viníferas e de produção de vinho foram passadas de geração em geração ao longo de milhares de anos, e se aperfeiçoaram e se modernizaram sem que tenha havido, contudo, comprometimento dos métodos tradicionais no processo de vinificação.

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Exemplo disso, é que ainda hoje os países do Velho Mundo preferem as técnicas manuais no cultivo das uvas. As colheitas também são feitas manualmente. E ao tempo da colheita, o grau de maturação das uvas é verificado diariamente pelos produtores, que provam e testam a fruta, e então decidem se ela está pronta ou não para ser colhida.

Romântico isso, não?

Daria para escrever um livro (ou ao menos um capítulo inteiro de um livro) apenas falando sobre as características das regiões, dos grandes produtores e dos vinhos do Velho Mundo…

Para simplificar, então, vou apresentar em seguida algumas características básicas desses vinhos:

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TRADIÇÃO:

Nos países do Velho Mundo a maioria dos produtores ainda se utiliza técnicas manuais para o cultivo e para a colheita das vinhas.

Os produtores mais tradicionais (e que são também os mais importante), a exemplo dos produtores da Região de Borgonha, na França, ainda usam (e com muito orgulho!) os mesmos métodos de vinificação de 200, 300 anos atrás.

A maioria dos vinhos clássicos do Velho Mundo não trazem estampados em seus rótulos o nome da uva ou das uvas com que são produzidos; os produtores desses vinhos esperam que o apreciador do seu produto já conheça as uvas com que seus vinhos são feitos, exatamente por conta da tradição!

REGULAMENTAÇÃO E CONTROLE:

Os vinhos mais tradicionais (e que são também os mais famosos e bem conceituados) têm os métodos de vinificação e as características dos vinhos regulados e definidos em legislações específicas, de âmbito nacional e regional, a exemplo dos vinhos AOC (Appellation d’origene contrôlée) na França; os vinhos DOC (Denominazione di Origine Controllata) e DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita) na Itália; e os vinhos CrianzaReserva e Gran Reserva na Espanha. Outros países do Velho Mundo, a exemplo de Portugal, já não possuem regulamentações específicas sobre os seus vinhos.

Apenas algumas uvas regionais específicas podem ser cultivadas e utilizadas para a produção dos vinhos tradicionais. Aqui vão alguns exemplos exemplo:

  • na França, na região de Borgonha, só são cultivadas e produzidos vinhos com a uva tinta Pinot Noir e a uva branca Chardonnay, e os vinhos se classificam em Cru, Gran Cru e Premier Cru;
  • na região de Bordeaux só são cultivadas as uvas tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot, Malbec (pouco utilizada) e Carmenere (quase extinta oficialmente) (não falarei sobre as uvas brancas de Bordeuax agora), e os tintos dessa região derivam do corte (“blend”) dessas uvas (o chamado “corte bordalês” clássico leva as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc). O vinho Petrus ali produzido, um dos mais caros e considerado um dos melhores do mundo, é produzido 100% com a uva Merlot (poucas safras podem ter até 5% de Cabernet Fanc), e por conta disso não ostenta em seu rótulo o título AOC  (por opção e escolha do seu produtor, claro);

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  • na região de Champagne cultivam-se as uvas Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier para a produção do espumante mais famoso do mundo, o Champagne, feito a partir do corte dessas três uvas. A título de curiosidade, os espumantes feitos só com as uvas tintas levam em seu rótulo a expressão “Blanc de Noir” e os espumantes feito só com uvas brancas levam em seu rótulo a expressão “Blanc de Blanc”;
  • as uvas e os vinhos italianos são regionalizados. Os vinhos Barolo e Barbaresco feitos a partir da uva Nebiolo são provenientes do Piemonte, e não são encontrados na Toscana; e os vinhos Chianti Classico e Brunello di Montalcino feitos com as uvas Sangiovese e Sangiovese Grosso provêm da Toscana, e não são encontrados no Piemonte. E por aí vai. A exceção é o espumante Prosecco,  o mais famoso da Itália, que atravessa divisas e é encontrado no país inteiro, produzido com a uva Glera (uva antes chamada de Prosecco, e que em razão da confusão com o nome do vinho teve seu nome alterado recentemente).

TERROIR:

Os vinhos do Velho Mundo dependem quase que em sua totalidade de fatores naturais como as condições do terroir e do microclima da região (o conceito de terroir, desenvolvido pelos franceses, é o de atribuir ao vinho personalidade própria, de acordo com as características de cada casta de uva utilizada, do solo onde são cultivadas, do microclima da região, da experiência dos viticultores e ainda da qualidade da cave ou dos barris de carvalho utilizados para envelhecimento do vinho.

terroir é, além disso, um conceito cultural, ligado às comunidades que vivem do cultivo e culto ao vinho.). Por conta disso, na maioria das regiões mais tradicionais não é admitida, por exemplo, irrigação e drenagem artificial do solo, utilização de cobertura para proteção das vinhas contra sol forte, ataques de insetos e de aves, chuva de granizo etc.

Quanto às características dos vinhos do Velho Mundo, entende-se que justamente por primarem por métodos tradicionais no cultivo, na colheita e no processo de vinificação; por possuírem regulamentação e controle rígido sobre a produção dos vinhos mais conceituados (ou seriam os mais tradicionais?); e por produzirem vinhos mais intensos, encorpados, tânicos (a propiciar mais longevidade e maior potencial de guarda à bebida) e mais complexos (diferentes níveis de aromas e sabores), os vinhos do Velho Mundo são considerados mais sofisticados, e, via de regra, são muito, mas muito mais caros que aqueles produzidos no Novo Mundo.

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