O termo vinho, seja em qual for o idioma (wine em inglês, vin em francês, vino em italiano e em espanhol, wein em alemão etc) é definido por lei e regulamentos específicos na maioria dos países mundo afora, e comumente se refere à bebida obtida exclusivamente a partir da fermentação alcoólica do mosto de uvas viníferas.

As uvas viníferas, aqui chamadas também de uvas finas, pertencem ao gênero Vitis, espécie Vitis vinifera, e que tem mais de 5.000 (cinco mil) variedades, dentre as conhecidas tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec etc, e as brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay.

São diferentes das demais uvas não viníferas, as chamadas uvas americanas ou uvas de mesa, pertencentes às espécies Vitis labruscaVitis rupestrisVitis riparia e Vitis bourquina.

Na prática, as uvas viníferas são menores, possuem casca mais grossa e densa, são consideradas inadequadas para o consumo direto e destinam-se à produção de vinhos. Já as uvas não viníferas são maiores, mais doces e suculentas, possuem cascas mais finas, e são destinadas ao consumo direto e à produção de suco de uva e de uvas passas.

No Brasil, contudo, a definição de vinho é um pouco diferente.

O artigo 3º da Lei 7.678/1998, que dispõe sobre a produção, circulação e comercialização do vinho e derivados da uva e do vinho, regulamenta que “vinho é a bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto simples de uva sã, fresca e madura.“.

Desse modo, os vinhos nacionais também podem ser produzidos a partir de uvas não viníferas, as chamadas uvas americanas.

Surge então a necessária distinção, por aqui, entre a denominação dos vinhos feitos de uvas viníferas daqueles feitos de uvas americanas.

Entenda a diferença:

Os vinhos produzidos com uvas viníferas no Brasil são considerados vinhos finos, feitos de uvas finas, e o rótulo necessariamente conterá a palavra FINO: “vinho tinto seco fino”, “vinho rosado seco fino”, “vinho branco fino seco”, e até mesmo “vinho tinto fino de mesa” ou “vinho de mesa tinto fino”, porque antes de mais nada o vinho fino também é um vinho de mesa de acordo com a legislação brasileira.

Já os vinhos produzidos com as outras variedades de uvas são identificados a partir da AUSÊNCIA da palavra fino no rótulo, utilizando-se apenas a expressão “DE MESA”: “vinho tinto seco de mesa”, “vinho tinto de mesa suave”, “vinho rosado suave de mesa”, “vinho branco de mesa suave” etc.

Comumente são apresentados nas versões seco (se contiver até quatro gramas de glicose por litro) e suave ou doce (se contiver mas de vinte e cinco gramas de glicose por litro).

São os famosos vinhos de garrafões, bem mais rústicos e simples que os vinhos produzidos a partir de uvas viníferas, facilmente encontrados em todo o país, especialmente nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste, e que também são comercializados em garrafas do tamanho padrão, de 750ml de volume.

Veja só a primorosa linha de vinho tinto de mesa seco do produtor VINHOS VÔ LUIZ, de Nova Trento/SC:

Vinho Tinto de Mesa Seco

Há quem goste, e muito desse tipo de vinho, não só porque são bem mais simples e baratos, o que permite o consumo em maiores quantidade, mas porque são mais rústicos e doces, lembrando suco de uva, só que com álcool!

E não há nada de errado com isso. Eu particularmente, não torço o nariz para esse tipo de vinho, não!

Aliás, tenho uma tia que adora esse tipo de vinho. Ela sempre serve ao final das refeições em família, em taças menores, de vinho do Porto, e o faz com toda pompa e circunstância, tal como se serve um sofisticado vinho de sobremesa!

Mas… não seja apressado nas suas conclusões, porque no Brasil também se envasam vinhos finos em garrafões, como a linha de Vinho Tinto Fino Seco do produtor DON GENTIL, do Rio Grande do Sul, feita com a uva Cabernet Sauvignon:

Don Gentil Vinho de Mesa.png

Então você já sabe: 

Se for vinho nacional fique atento ao rótulo para acertar na compra do tipo de vinho que você procura.

Se o rótulo contiver a palavra FINO, é vinho de uvas viníferas. E se não contiver a palavra fino mas apenas a expressão DE MESA, é vinho de uvas não viníferas.

Outra característica interessante da legislação brasileira, é que, se o vinho é a bebida obtida a partir da fermentação alcoólica de uva sã e fresca, então, por exclusão, não pode ser considerado como vinho a bebida produzida com uvas botritizadas (afetadas pelo fungo Botrytis Cinerea, e que causa a chamada “podridão nobre”), vinho fortificado por muitos considerado um dos mais distintos do mundo.

Igualmente não pode ser considerado como vinho, no Brasil, a bebida produzida com uvas passificadas (colhidas e deixadas em ambiente seco e ventilado para desidratar naturalmente por meses), a exemplo dos vinhos italianos Amarone e Vin Santo, dentre outros tantos.

Está explicado, então, o porquê de não vermos esses vinhos tão nobres e especiais sendo produzidos por aqui.

Por fim, não vale confundir o vinho de mesa brasileiro com o Vino di Tavola italiano ou com o Vin de Table francês, que são feitos de uvas viníferas (como quaisquer outros vinhos ao redor do mundo), e que são assim nomeados em razão da sua classificação frente ao demais vinhos, de denominação controlada.

Complicado, né?

Falarei sobre a diferença entre o vinho de mesa, o vino di tavoli e o vin de table em um próximo post.

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