Atualmente há uma grande variedade de vedantes para garrafas de vinhos, sendo a mais bem elaborada e de alto custo a rolha de cortiça para vinhos espumantes (“spark”), em em relação aos vinhos tranquilos, a mais cara e cada vez mais rara rolha de cortiça natural maciça, e a mais moderna e de baixo custo a tampa de rosca (“screw cap”):

rolhas-tipos

Os grandes vinhos, os mais tradicionais e sofisticados, especialmente os considerados pelo produtor como vinhos com potencial de guarda e que podem ou devem ser envelhecidos por dezenas de anos, são necessariamente vedados com rolha de cortiça natural maciça, considerada a de melhor qualidade.

A rolha feita de cortiça natural maciça é porosa e flexível, e propicia a entrada de pequenas quantidades de ar na garrafa, permitindo o amadurecimento e evolução do vinho depois de engarrafado.

Por conta disso, todo cuidado é pouco: as garrafas de vinho vedadas com esse tipo de rolha devem ser armazenadas em locais livre de odores e com baixa umidade, para que não haja transferência dos odores do local para o vinho, e para que não haja contaminação e proliferação de fungos nas rolhas. E as garrafas devem ser armazenadas na posição horizontal a fim de que o líquido fique em contato com a rolha evitando que esta resseque e esfarele.

O aumento do consumo mundial de vinho e o consequente aumento da procura por cortiça natural para vedação das garrafas de vinho é algo que preocupa os ambientalistas, pois a cortiça é extraída da casca do sobreiro (carvalho da espécie Quercus suber, cultivado na Região do Alentejo, em Portugal) após 25 a 30 anos de vida da árvore, a casca somente pode ser retirada em ciclos de 09 em 09 anos, e estima-se que apenas cerca de 30% tem qualidade boa o suficiente para produzir rolha.

Há também as rolhas de cortiça aglomerada, elaborada com as sobras da cortiça, que são trituradas e unidas com cola. De custo um pouco menor, é menos flexível e de menor durabilidade, sendo apropriada para vinhos de consumo em poucos anos.

Essas rolhas podem conter um disco de rolha de cortiça maciça nas suas duas extremidades:

rolhas-mista

O alto custo de produção das rolhas de cortiça natural, seja maciça ou aglomerada, é um fator determinante a ser considerado, pois muitos produtores querem baratear os custos do produto final a fim de tornar o vinho mais acessível.

Surgiu como alternativa a rolha sintética, feita de silicone. É simples, de baixo custo, e permite que o vinho seja armazenado em pé.

Por suas características, é indicada para vinhos de consumo imediato.

Esse vedante desagrada os exigentes consumidores de vinhos mais tradicionais, e que naturalmente julgam a qualidade do vinho de acordo com a qualidade da rolha.

Há ainda a polêmica e inovadora tampa de rosca (“screw cap”), feita de material metálico revestido de material plástico em seu interior, e que começou a ser utilizada pelos produtores de vinho da Nova Zelândia.

Dentre todas, é a alternativa de menor custo, é reciclável e de fácil manuseio, dispensando o uso de saca-rolhas.

A tampa de rosca veda completamente a garrafa e não permite a entrada de ar algum, razão pela qual os vinhos vedados com esse tipo de tampa são destinados ao consumo imediato, e devem ser degustados ainda jovens, uma vez que, sem contato com o ar, esses vinhos não irão evoluir dentro na garrafa.

 

rolhas-screw-cap

Contudo, algumas rolhas de rosca que permitem, sim, micro-oxigenação do vinho durante o envelhecimento em garrafa já foram desenvolvidas e estão sendo testadas, e o futuro nos dirá se esse tipo de rolha pode ser tão boa ou melhor que as caras (e esgotáveis) rolhas de cortiça.

Ainda sim, mesmo se tratando de um produto ecologicamente correto, reciclável e muito mais barato, os apreciadores de vinho menos exigentes, especialmente os do Velho Mundo, se recusam a aceitar os vinhos vedados com tampa de rosca, que são inclusive mal julgados, também de acordo e em razão da qualidade da tampa.

Temos ainda as tampas de vidro, também indicadas para vinhos jovens e que devem ser consumidos em poucos anos.

Eu ainda não tinha visto uma até ontem, quando degustei um vinho italiano branco, o Cusumano Insolia 2013:

rolha-de-vidro

Seja qual for o vedante, não sejamos mais tão preconceituosos!

Nem todo vinho com rolha de cortiça natural maciça é melhor, e nem todo vinho com rolha sintética ou de rosca é pior. Na verdade há excelentes vinhos sendo produzidos no mundo todo e que estão sendo envasados com rolhas de silicone, tampas de rosca e até de vidro.

Por fim, retornamos ao começo e falamos da mais resistente, bem elaborada e cara de todas as rolhas que é, sem dúvida, as rolhas dos vinhos espumantes (Champagne, Prosecco, Cava etc.), chamadas de “spark”.

Em formato de cogumelo, são produzidas em duas partes bem distintas: a parte de baixo, que fica no interior da garrafa em contato com o líquido, é feita de cortiça natural maciça, e conta com a flexibilidade própria do material; e a parte de cima, bem mais rígida e inflexível, elaborada de cortiça aglomerada.

E neste artigo era só isso, pessoal! Espero que tenham gostado, e se gostaram compartilhem na redes sociais, porque quanto mais gente se interessando pelo mundo do vinho, melhor!

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