Até bem pouco tempo atrás Prosecco era o nome de uma uva branca originária da região do Veneto, na Itália, famosa por produzir vinhos brancos nas variedades spumante, frizzante e tranquillo, a depender do método de vinificação e da quantidade de perlage (de bolhas, formadas pela liberação do gás carbônico).

Todo e qualquer vinho produzido com a uva Prosecco na própria Itália, aqui no Brasil ou em qualquer outro país do mundo, obviamente podia levar o nome de Prosecco.

Isso justifica o porquê da enorme variedade de Proseccos, inclusive nacionais, encontrados em todas as lojas de vinhos e supermercados, e que podem ser vinhos de boa qualidade ou não, e que podem ser bem baratos ou bastante caros.

Era e continua sendo o espumante popular, presente na maioria das festas e dos casamentos!

Por conta disso, tornou-se comum dizerem que Prosecco era o “Champagne pobre”, na tentativa de comparar esses dois vinhos tão diferentes, o que é um erro e uma tremenda injustiça!

Eu explico:

No Nordeste da Itália, nas vilas de Valdobbiadene e Conegliano, há dezenas de anos são produzidos espumantes Proseccos DOC’s (Denominazione di Origine Controllata) de altíssima qualidade, bastante valorizados e comercializados a altos preços.

Esses Proseccos não querem e nunca quiseram parecer um Champagne! Muito menos uma versão mais pobre do Champagne!

São produzidos com o método “Charmat” de vinificação, e que consiste, básica e resumidamente, na vinificação de um vinho base que sofre uma segunda fermentação em tanques de aço inox, a partir da adição de açúcares e leveduras.

A fim de se evitar a confusão entre os espumantes Proseccos produzidos na região de denominação controlada de todos os outros espumantes genéricos produzidos com a uva Prosecco, e que contribuíram para a desvalorização da marca, formou-se o Consorzio di Tutela delle Denominazione di Origine Controllata Prosecco, e que resultou na alteração do nome da uva, que de Prosecco passou a se chamar Glera.

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Indo além, os produtores das vilas de Valdobbiane e Conegliano patentearam suas técnicas e métodos de produção, uniram-se a uma cidadezinha mais ao extremo leste que se chama Prosecco e criaram a nova região de Prosecco (que produz vinhos sob a denominação de Prosecco DOC) e elevaram a classificação dos seus próprios vinhos para DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantida).

Tudo isso para não permitirem que outras vinícolas fora daquela região utilizem o nome Prosecco em seus vinhos.

E eles conseguiram!

Assim como acontece com o Champagne, agora o nome Prosecco também é de uso exclusivo.

Então agora você já sabe:

Os Proseccos de melhor qualidade são os produzidos no Nordeste da Itália, nas vilas de Valdobbiadene e Conegliano, e que agora são classificados como Prosecco DOCG.

Que saber quais são os melhores? Em novembro de 2015 a conceituada revista britânica Decanter, especializada em vinhos, publicou a lista dos 7 melhores vinhos Proseccos:

  •  Adami Superiore Dry Cartizze, Prosecco NV
  •  Casa Belfi, Prosecco Sur Lie, Treviso, Veneto, Italy NV
  •  De Faveri, Tappo Raso Frizzante Superiore Brut, Valdobbiadene NV
  •  La Gioiosa, Prosecco Superiore Brut, Valdobbiadene, Veneto, Italy 2014
  •  Le Colture, Pianer Prosecco Extra Dry,Valdobbiadene, Veneto, Italy NV
  •  Tanners Prosecco Brut, Treviso, Italy NV
  •  Prosecco Superiore Brut, Conegliano, Veneto, Italy 2014

Os demais espumantes produzidos na recém criada região de Prosecco levam a classificação Prosecco DOC.

E os vinhos que forem produzidos mundo afora com a uva Glera, não poderão mais ser chamados de Prosecco.

Então, aproveitem, porque nem todo Prosecco é mesmo um Prosecco, logo logo os Proseccos genéricos não serão mais comercializados mundo afora, e com a pretendida valorização da marca comprar um Prosecco DOC por menos de R$ 60,00 vai ter virado “coisa do passado”.

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