Atualmente os vinhos franceses são classificados do mais simples para o de melhor qualidade em Vin de France (vinho sem identificação geográfica da região de produção), Indication Géographique Protégée (IGP) (vinho com identificação geográfica) e a mais alta classificação, Apellation d’Origine Protégée (AOP).

Esse sistema foi introduzido no ano de 2012 para simplificar e padronizar o sistema de classificação em toda a União Europeia, em uma tentativa de substituição ao sistema com o qual lidamos e estamos habituados até hoje: Vin de Table; Vin de Pays ou regionais; Vin Délimité de Qualité Superiore e Appellation d’Origine Contrôlée.

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Vamos a elas:

VIN DE TABLE: Representa cerca de 22% de toda a produção de vinhos no país, e não há regras para a sua produção.

Pode ser produzido com qualquer tipo de uva, cultivadas em qualquer região, com utilização da quaisquer meios de produção.

A única exigência é que no rótulo frontal das garrafas desse tipo de vinho, não pode haver menção nem do tipo (cepa,  casta) da uva, nem da safra, e nem da região em que foi produzido,  pois isso afronta as regras e regulamentos de appellation  contrôlée.

São os vinhos mais baratos consumidos no dia a dia, e que são encontrados na maioria dos estabelecimentos comerciais e restaurantes da França.

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A curiosidade em relação a essa classificação, é o fato de que os melhores vins de pays hoje em dia chegam a ser mais caros que os vins de appellation contrôlée.

VDQS (Vin Délimité de Qualité Superiore): representa menos de 2% da produção nacional, e foi oficialmente dada por extinta há alguns anos.

Aparentemente os vinhos de preço baixo dessa classificação não são bons o bastante para serem promovidos à appellation contrôlée, tampouco interessam às autoridades que controlam a classificação dos vins de pays.

APPELLATION D’ORIGINE CONTRÔLÉE (AOC): nesta categoria entram os vinhos de designação de origem controlada, e que pressupõe se tratarem de vinhos de qualidade superior em relação às classificações anteriores.

Existem legislações específicas e um controle rigoroso do Governo e de Comissões não governamentais sobre os vinhos AOC, que só podem ser produzidos seguindo-se as regulamentações específicas de cada região: área de cultivo predeterminada, cultivo das castas permitidas, métodos de cultivo e de produção, estágio e tempo de estágio do vinho em  barrica e em garrafa antes da comercialização, devem refletir as características singulares típicas de cada região, e por aí vai.
Sobre as castas das uvas que podem ser cultivadas em cada região, citaremos algumas a título de curiosidade:

  •  Em Borgonha são cultivadas exclusivamente a uva tinta Pinot Noir e as uvas brancas Chardonnay e Aligoté (esta bem pouco conhecida e pouco explorada, borgonhas brancos com esta uva só são encontrados lá mesmo, na própria Borgonha).
  • Em Chablis, sub-região da Borgonha situada ao Norte, cultiva-se a uva branca Chardonnay, e que produz o famoso vinho que leva o nome da região.
  • E em Beaujolais, região ao sul da Borgonha, cultiva-se somente a uva tinta Gamay, que também produz o vinho que leva o nome da região.
  • Em Bordeaux é permitido o cultivo de apenas algumas uvas tintas, dentre as quais destacam-se Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc (que juntas formam o famoso “corte bordalês”), Malbec e Petit Verdot; e uma pequena variedade de algumas uvas brancas: Sauvignon Blanc, Sémillon, Muscadelle e Ugni Blanc.
  • Em Champagne as principais uvas cultivadas são as tintas Pinot Noir e Pinot Meunier, e a branca Chardonnay. As outras uvas cultivadas em Champagne (Arbanne, Petit Meslier, Pinot Blanc e Pinot Grigio) representam menos de 0,3% e são pouco expressivas naquela região.

Seria simples, se não fosse complicado.

A polêmica em relação aos vinhos AOC franceses é que essa designação foi concedida por lei há dezenas de décadas, e o produtor que seguir as regras para a produção do seu vinho não perderá essa classificação, ainda que venha a produzir vinhos de qualidade inferior.
Isso significa, então, que nem todo vinho francês AOC é necessariamente um vinho de qualidade superior. Deveria ser, mas nem sempre é.

Ainda tem mais:

Essas regiões e outras tantas, consideradas as mais importantes na produção de vinhos na França, não contêm em seus rótulos a expressão AOC, constando apenas o nome da região ou da sub-região de cultivo e produção.

Além de tudo isso, em Borgonha e Bordeaux os vinhos ainda são classificados em genéricos ou em “Crus”.

Em BORDEAUX, os vinhos classificam-se em “Premier Cru”, como resultado da Classificação de 1855, quando Napoleão III organizou o Julgamento de Paris, evento que classificou os melhores vinhos existentes à época; em “Grand Cru Classé”, como resultado da Classificação dos vinhos da região de Graves em 1953; e em “Grand Cru”, “Grand Cru Classé” e “Premier Grand Cru Classé”, do mais simples para o melhor, como resultado da classificação dos vinhos da região de Saint-Émilion em 1954.

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E ainda temos simplesmente o vinho “Bordeaux” e o “Bordeaux Superior”, vinhos genéricos que refletem bem as características peculiares do terroir da região. E a expressão “Superior” nesses rótulos, ao contrário do que possa parecer, não indica que o vinho teria qualidade superior, não, indica apenas que o nível de álcool é relativa e/ou ligeiramente superior.

Já em BOURGOGNE os vinhos levam as classificações regionais genéricas “Bourgogne”, “Bourgogne Grand Ordinaire”, “Bourgogne Passe-ToutGranis” etc; classificações comuanias atribuídas a vinhos provenientes de comunas (distritos ou municípios); “Premier Cru”, AOC atribuída a vinhos de excelente qualidade; e “Grand Cru”, atribuição exclusiva de 33 vinhos de qualidade excepcional, sendo 32 produzidos no Côte d”Or (Romanée Conti é um dos Grand Crus da Borgonha) e 01 em Chablis.

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Diferenças sutis que confundem os menos entendidos e evidenciam a rivalidade secular existente entre essas duas poderosíssimas regiões vitivinicultoras.Esse sistema é complicado, mesmo, mas aos poucos a gente vai estudando, vai entendendo e descomplicando!

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