Entender o sistema de classificação dos vinhos italianos pode parecer complicado no começo, mas não é tanto assim, não.

Nada que uma lida em um artigo aqui e outro ali não resolva.

E vamos ao que interessa:

Na Itália predominam atualmente quatro níveis de classificação de vinhos, e que valem também para queijos, presuntos, azeites, acetos balsâmicos etc:

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VINO DA TAVOLA ou VINO:

É vinho de mesa ou o “vinho da casa” italiano, o vinho popular e econômico, feito com uvas viníferas diversas, mas geralmente sem indicação de casta, de região ou de safra. Não há regras para a produção do Vino da Tavola, e todas as escolhas, da videira à garrafa, ficam a cargo do produtor/enólogo.

Os venerados e caríssimos vinhos “Super Toscanos”, até bem pouco tempo, eram vinhos que pertenciam à essa classificação, uma que os seus produtores não queriam produzir vinhos exclusivamente com as castas autóctones permitidas na região, não! Eles queriam produzir vinhos diferenciados usando castas internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, o que fazia com que esses vinhos “fora da lei” (leia-se vinhos produzidos foram dos padrões da rehião) fossem excluídos das classificação com indicação geográfica.

VINHO IGT (INDICAZINE GEOGRAFICA TIPICA:

É o segundo em escala crescente de superioridade e qualidade, é o segundo de quatro classificações de vinho reconhecidas pelo governo da Itália, são rotulados com a localidade de sua criação (territórios mais amplos e abrangentes), mas não satisfazem os requisitos das DOC ou DOCG, designações mais rigorosas (e territorialmente menores). É considerado globalmente equivalente ao francês Vin de Pays ou IGP.

E são muitas as IGPs de produção de vinho na Itália:

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Fonte: Wine Folly

VINHOS DOC (DENOMINAZIONE DI OREGENE CONTROLLATA):

A denominação de origem conhecida pela sigla DOC refere-se à certificação de uma área de origem delimitada com regras específicas de produção (como castas permitidas, modo de colheita, método de vinificação, teor de álcool e níveis de açúcar no produto final, tempo mínimo e máximo de envelhecimento do vinho antes da comercialização etc) do vinho que pretende levar no rótulo o nome da região classificada como DOP.

Estes vinhos, antes de serem colocado no mercado, são submetidos a uma análise físico-química preliminar durante a produção e um teste organoléptico ao final, que ateste a conformidade com os requisitos da especificação, e o não atendimento a quaisquer dos requisitos de tipicidade farão com que o vinho “reprovado” não possa ser comercializado sob a denominação da Região DOC, podendo, quando o caso, ser classificado como  IGT.

VINHOS DOCG (DENOMINAZIONE DI ORIGENE CONTROLLATA E GARANTIDA):

A categoria DOCG inclui vinhos produzidos em zonas geográficas específicas e reduzidas em relação à classificação anterior, mais abrangente.

O DOCG está reservado aos vinhos que já era reconhecidos com denominação de origem (DOC) como pelo menos dez anos, e são considerados de mais e melhor valor em termos de qualidade se comparados com a média dos vinhos da região, além de serem tradicionais humana e historicamente, de terem ganho notoriedade e de terem trazido desenvolvimento comercial a nível nacional e internacional.

Tal como ocorre com os vinhos DOP, antes de serem colocados no mercado os vinhos DOCG também são submetidos à análise físico-química preliminar durante a produção e ao teste organoléptico ao final.

Mas em relação aos vinhos DOCG o rigor é tanto, que o teste organoléptico deve ser repetido, lote por lote, também na fase de engarrafamento, além de ser realizada uma análise sensorial (degustação) por uma comissão local, e se notaga alguma incapacidade do vinho de cumprir com os requisitos e tipicidade dos vinhos daquela DOCG, o vinho não poderá ser comercializado sob essa denominação, podendo, se o caso, ser classificado como DOC ou IGT.

Além disso, a legislação prevê que o DOCG tem opcionalmente (com base no que está acontecendo há séculos na França, com a qualificação jurídica, tipo hierárquico e qualitativa dos vinhos Crus) a mais alta segmentação em sub-zonas / sub-regiões (comunas ou partes dele) ou microzonas (vinhedos ou mais) ou a indicação geográfica adicional, considerados o topo da pirâmide em termos qualificativos.

Se ficou interessado no assunto e quiser saber mais, leia os artigos relacionados:

Vino da Tavola, o vinho de mesa italiano

Entendendo os rótulos dos vinhos italianos e franceses

E se ficou com água na boca e quer experimentar um vinho DOCG, então se ligue na extensa lista dos vinhos dessa mais alta classificação, em ordem alfabética:

TINTOS:

  • Aglianico del Vulture (Superiore e Riserva);
  • Amarone della Valpolicella;
  • Barbaresco;
  • Barbera del Monferrato;
  • Bardolino Superiore;
  • Barolo;
  • Brunello di Montalcino;
  • Chianti Classico;
  • Chiante (e sub-regiões);
  • Conero Riserva;
  • Dogliani;
  • Montepulciano d’Abruzzo; Colline Teramane;
  • Morelino di Scancaso;
  • Recioto della Valpocicella;
  • Roero;
  • Taurasi;
  • Vino Nobile de Montepulciano;

BRANCOS:

  • Asti (espumante);
  • Conegliano-Valdobbiadene (espumante);
  • Fiano d’Avelino;
  • Franciacorta (espumante);
  • Gavi (e sub-regiões);
  • Greco di Tufo;
  • Moscati d’Asti (frizante);
  • Roero Arneis;
  • Soave Superiore (e Recioto);
  • Verdicchio del Castelli di Jesi;
  • Verdicchio di Matelica Riserva;
  • Vermentino di Gallura;
  • Vernaccia di San Gemignano.
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