Entender os rótulos dos vinhos do Velho Mundo não é tarefa fácil para quem está começando!

A exemplo principalmente do que aconteça na Itália e da França, nos vinhos de denominação de origem controlada não há indicação do tipo ou dos tipos de uva no rótulo, constando geralmente apenas o nome da região, sub-região ou até mesmo do Château ou Maison.

É como acontece nos clássicos vinhos franceses, uns dos melhores do mundo:

  • Borgonha tinto (varietal com a uva Pinot Noir) e Borgonha branco (varietal com a uva Chardonnay ou com a uva Aligoté, mas os vinhos com esta última nunca chegam até aqui, a produção é pequena e se destina aos locais, sorte deles!);
  • Bordeaux tinto (blend das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, e em menores proporções Malbec e Petit Verdot) e Bordeaux branco (varietal com a uva Sauvignon Blanc ou blend com as uvas Sauvignon Blanc, Semillón e em menor proporção a Mucadelle); margem direita (predomina a tinta Merlot) e margem esquerda (predomina a tinta Cabernet Sauvignon) (foto abaixo);
  • Champagne (vinho espumante feito com assemblage da uva branca Chardonnay e das uvas tintas Pinot Noir e Pinot Meunier, produzido na região de Champagne), e pode ser um vinho sem indicação de safra ou com indicação de safra (Vintage);
  • Chablis (vinho branco varietal com a uva Chardonnay);
  • Beaujolais (vinho tinto varietal com a uva Gamay).

bordeaux

Fica ainda mais difícil de saber o que estamos comprando ou consumindo se os vinhos forem os da classificação mais simples, os vinhos de mesa (Vin de Table ou somente Vin Rouge / Blanc), porque aí no rótulo não vai haver nem indicação da uva, nem da região produtora, e nem mesmo do ano da safra, pois isso afronta as regras e regulamentos de apelação ou denominação controlada!

Como saber, então, o que estamos comprando sem precisar ser um expert no assunto? Como acertar na hora de comprar um vinho ou de indicar uma compra para um amigo?

Para ajudá-lo nesta jornada pelos vinhos do Velho Mundo, neste artigo iremos conhecer os termos e as expressões  mais comuns, que aparecem em quase todos rótulos dos vinhos franceses.

Termos de classificação dos vinhos franceses (sistema antigo, em transição):

  • Vin de Table é o vinho de mesa francês, o vinho popular e econômico, e não há regras para a sua produção: pode ser produzido com qualquer tipo de uva, cultivada em qualquer região, com utilização da quaisquer meios de produção. A única exigência é que no rótulo frontal não pode haver menção nem do tipo (cepa,  casta) da uva, nem da safra, e nem da região em que foi produzido,  pois isso afronta as regras e regulamentos de appellation  contrôlée;
  • Vin de Pays um nível acima, abrange cerca de 150 appellations, classificação introduzida no ano de 1973 para promover vinhos regionais e para garantir vinhos decentes de maior qualidade para o consumo diário. Os rótulos frontais das garrafas podem indicar o tipo ou os tipos de uva, e também podem indicar o ano da safra e a região de procedência;
  • VDQS Vin Délimité de Qualité Superiore: representa menos de 2% da produção nacional, e foi oficialmente dada por extinta há alguns anos porque aparentemente os vinhos de preço baixo dessa classificação não são bons o bastante para serem promovidos à appellation contrôlée, tampouco interessam às autoridades que controlam a classificação dos vins de pays;
  • AOC Appellation d’Origine Contrôllé: nesta categoria entram os vinhos de designação de origem controlada, de qualidade superior em relação às demais classificações. Existem legislações específicas e um controle rigoroso do Governo e de Comissões não governamentais sobre os vinhos AOC, que só podem ser produzidos seguindo-se as regulamentações específicas de cada região.

Termos do atual sistema de classificação dos vinhos franceses:

  • Vin de France: Vinho sem identificação geográfica de região de produção. Em linhas gerais, veio para substituir os ent]ao chamados Vin de Table;
  • IGP Indication Géographique Protégée: Vinho com identificação geográfica, veio para substituir os Vin de Pays;
  • AOP Apellation d’Origine Protégée: vinho de apelação controlada produzido em uma região ou sub-região específica, somente os vinhos ali produzidos podem conter o nome da região ou sub-região no rótulo, veio para substituir os vinhos AOC Appellation d’Origine Contrôllé.

Se quiser saber mais sobre o complexo sistema de classificação dos vinhos franceses, já publicamos uma série de artigos, vale a pena a leitura:

Entendendo o sistema de classificação dos vinhos franceses

Vin de Table, o vinho simples francês

Expressões comuns nos rótulos:

  • Château (em Bordeaux): Castelo, Propriedade;
  • Cru: Vinhedo delimitado específico, geralmente pequeno;
  • Côtes: Vinhedos de encosta;
  • Clos: Vinhedos murados;
  • Cuvée: Vinho de melhor qualidade da vinícola, obtido da primeira prensagem das uvas;
  • Cru / Cru Classé / Grand Cru / Grand Cru Clasé / Premier Cru: designação de hierarquia do Château / Domaine de acordo com a qualidade, são denominação imutáveis conferidas por leis há décadas, e variam nas diferentes sub-regiões de Bordeaux e Borgonha;
  • Domaine (em Borgonha): Propriedade;
  • Maison: Mansão, Propriedade;
  • Mis em Bouteille au Château/Maioson/Domaine: Vinho engarrafado na própria vinícola, designa um vinho de qualidade melhor;
  • NM Negociant Manipulant: Comerciante do vinho;
  • NE Negociant Eleveur: Comerciante que traz e amadurece o vinho;
  • CM Cooperativa Manipulant: Cooperativa.
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Fonte: Wine Searcher

Ficou interessado em saber mais? Então continue explorando os vinhos do Velho Mundo lendo a série de artigos sobre os vinhos italianos:

Entendendo os rótulos dos vinhos italianos

O sistema de classificação dos vinhos italianos

Vino da Tavola, o vinho de mesa italiano

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