O consumo de vinhos espumantes por todo o mundo aumenta bastante nos meses de Dezembro e Janeiro por conta das Festas de Fim de Ano.

Tendo isso em mente, vale a pena saber um pouco mais sobre essa bebida nobre, deliciosa e borbulhante, de Reis e Rainhas, se preparar para as compras e acertar em cheio nas (sempre boas) escolhas, porque afinal de contas um espumante de boa qualidade servido fresquinho é bom demais!

A primeira coisa que precisamos conhecer são os termos de rotulagem de designação do nível de açúcar nos vinhos espumantes, que são difíceis de acertar de pronto, só na base da intuição.

Fica um pouco mais difícil de assimilar esses termos, quando, por experiência, provamos um vinho espumante Extra Brut que é perceptivelmente mais doce que um Brut, por exemplo. E isso acontece muito!

Mas… o espumante Extra Brut não tinha de ser mais seco do que o espumante Brut?

Não necessariamente!

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Foto: Blog Deca

Na União Europeia existem regras de rotulagem específicas para indicação do nível de doçura dos vinhos espumantes, e que varia de 0 a 3 gramas de açúcar por litro até mais de 50 gramas de açúcar por litro. São elas:

Brut Nature / Bruto Natural / Naturherb / Zéro Dosage: o nível de açúcar residual do produto final (espumante pronto para ser comercializado) deve ser de 0 a 3 g/l, e não pode haver adição de açúcar via “licor de expedição”. Daí a expressão “nature/natural”, que significa que o açúcar residual presente no vinho espumante é naturalmente fornecido pela própria fruta;

Extra Brut / Extra Bruto / Extra Herb: o produto final deverá conter de 0 a 6 g/l de açúcar, geralmente complementado via licor de expedição. Isso significa que se o espumante Extra Brut contiver 3 g/l de açúcar (nível este que também é permitido no Brut Nature), mas o açúcar tiver sido adicionado pelo “licor de expedição”, o vinho Extra Brut será tão seco quando o Brut Nature, mas não poderá levar esta nomenclatura porque houve adição de açúcar extra no produto final;

Brut / Brut / Herb: o produto final deverá conter de 0 a 12 g/l de açúcar, geralmente adicionado via licor de expedição;

Extra-Sec / Extra-Dry / Extra-Trocken: o produto final deverá conter de 12 a 17 g/l de açúcar, geralmente adicionado via licor de expedição;

Sec / Seco / Dry / Trocken: o produto final deverá conter de 17 a 32 g/l de açúcar, geralmente adicionado via licor de expedição;

Demi-Sec / Semi-Seco / Medium Dry / Abboccato / Halbthocen: o produto final deverá conter de 32 a 50 g/l de açúcar, geralmente adicionado via licor de expedição; e

Doux / Dulce / Sweet / Mild: o produto final deverá conter mais de 50 g/l de açúcar, geralmente adicionado via licor de expedição.

Como os limites das três primeiras classificações partem de zero grama e vão até 12 gramas de açúcar por litro, é possível que um vinho rotulado como Extra Brut contenha 6g/l de açúcar, enquanto um vinho rotulado como Brut contenha 3g/l de açúcar, por exemplo, de modo que um Brut possa ser de fato menos doce que um Extra Brut.

Fora isso, devemos considerar que essa regra de rotulagem vale para a União Europeia, e muito embora o resto do mundo possa produzir espumantes seguindo essa mesma orientação, os níveis de açúcar no produto final podem ser flexibilizados e até totalmente diferenciados,  especialmente se falarmos de espumantes produzidos no Novo Mundo.

Confesso que às vezes ainda me surpreendo positiva e negativamente com isso 🙂

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Fonte: Sliains

E para não ter mais erro nas Festas de Fim de Ano, falemos agora dos termos básicos que aparecem comumente em quase todos os rótulos, fichas técnicas e de apresentação dos espumantes à venda:

Non-vintage: este termo quer dizer “sem indicação de safra”, e não é exatamente um termo de rotulagem porque nos vinhos não safrados simplesmente não há indicação do ano da safra, e isso significa que o vinho espumante foi elaborado a partir de um assemblage de uvas colhidas em anos distintos, e que são misturadas até o viticultor chegar na “mistura ideal” que representa o estilo da Casa ou Maison.

Vintage: quer dizer que o vinho espumante foi elaborado a partir de um corte de diversas uvas colhidas em uma safra específica, considerada excepcional, e que vai indicada no rótulo.

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Foto: Perfect Rewards.co.uk

Blanc de Blancs: este termo indica um vinho espumante branco feito exclusivamente de uvas brancas.

Blanc de Noirs: este termo indica um vinho espumante branco feito exclusivamente de uvas tintas.

Rosé: indica um vinho espumante rosé.

Prestige Cuvée: também não é propriamente um termo de rotulagem, e designa um vinho que é considerado o melhor da Casa, e que geralmente é de melhor qualidade.

E pronto! Agora que você já conhece esses termos de rotulagem, é só escolher o seu espumante preferido, e BOAS FESTAS!!!

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Foto: Optclean
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