Qualquer enófilo, seja iniciante ou iniciado, tenha muita ou nenhuma prática em degustação de vinhos, usa comumente a expressão “vinho redondo” e “vinho equilibrado” para definir e classificar os vinhos que provam.

E muitas vezes essas expressões são inclusive utilizadas  como se fossem sinônimas e quisessem dizer a mesma coisa, e muito embora isso seja verdade, geralmente um vinho redondo é um vinho equilibrado, bem, os conceitos de uma e de outra expressão são distintos.

Mas o que é, então, um “vinho redondo” e um “vinho equilibrado”?

Vamos lá:

A expressão “vinho redondo” cabe quando provamos um vinho e achamos que todos os seus elementos (visual, olfativo e gustativo) estão praticamente na mesma escala (de 01 a 05) ou no mesmo nível (baixo, médio-, médio, médio+ e alto), conforme o critério de análise.

Esse conceito é mesmo difícil de assimilar, e como eu sou uma pessoal visual, precisei literalmente visualizar isso em um desenho gráfico para entender. Então, para que vocês também possam entender, eu mesma fiz os gráficos abaixo.

Neste primeiro exemplo, ilustrei um vinho encorpado e persistente (que tem potencial de guarda em razão da presença de muitos taninos, muita fruta, e acidez e álcool elevados) que, em uma escala de 0 a 5, tem cor muito intensa (escala 5), aroma intenso (5 na escala), nível elevado de presença de fruta (5), acidez elevada (5), bem encorpado (5), bastante taninos (5), álcool elevado (5) e persistência longa (5) (Vinho I). Ilustrei também um outro vinho que, em uma escala de 0 a 5, tem cor de intensidade média (escala 3), intensidade aromática e de frutas média (3), acidez, álcool e taninos igualmente médios (3), um vinho fácil de beber, um vinho feminino (Vinho II):

grafico-vinho-i-e-vinho-ii

E aí ilustrei também aquele vinho sei lá qual que a gente compra sei lá onde por 5 estalecas, vinho econômico feito sem nenhum capricho, ou que foi armazenado em péssimas condições (exposto a luz e calor excessivos etc), e que em uma escala de 0 a 5 tem cor de intensidade quase profunda (escala 4), aroma e sabor de fruta quase baixos (2), acidez baixa caracterizando um vinho flácido (1), com álcool e taninos em níveis elevados (5), bastante corpo (4) e persistência quase ligeira (2):

grafico-vinho-iii

Vejam que no vinho acima sobram álcool e taninos enquanto faltam aromas, fruta e acidez. Há um claro desequilíbrio entre os elementos do vinho, e que ao ser analisado de forma objetiva se revela totalmente desbalanceado, nem um pouco redondo, um vinho ruim!

Visualizando os gráficos ficou mais fácil de entender o conceito de “vinho redondo”, não ficou?

Já a expressão “vinho equilibrado” leva em consideração exatamente o equilíbrio de alguns elementos do vinho como em uma balança, tendo de um lado a fruta e a doçura, e de outro lado a acidez e os taninos para contrabalancear. Assim, o vinho mais doce deve ser equilibrado pela acidez alta, e o nível alto de fruta do vinho pode e deve ser equilibrado pela presença de mais taninos.

Portanto, sempre ao mencionar que um vinho é equilibrado, lembre-se de informar exatamente qual elemento de um lado da balança está equilibrado com qual elemento do outro lado da balança, ou a sua informação estará incompleta!

Agora é só ir praticando, ir observando os vinhos que for degustar, e logo logo você já vai conseguir distinguir um vinho de baixa qualidade de um vinho de alta qualidade, independentemente do seu gosto pessoal, de gostar ou não gostar do tipo ou do estilo de vinho que está sendo analisado.

Obrigada por ler e até breve 🙂

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